terça-feira, 19 de abril de 2011

Cartas de uma Freira Portuguesa.

Esse é um texto que estou lendo para fazer um trabalho da faculdade, porém me identifiquei ao extremo e não poderia deixar de compartilhar com meus seguidores. Cada dia que vou lendo, marco um pedaço e no fim do dia posto aqui.

Dayane Tavares.

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Parte I

"Parece-me, no entanto, que até ao sofrimento, de que és a única causa, já vou tendo afeição. Mal te vi a minha vida foi tua, e chego a ter prazer em sacrificar-ta. Mil vezes ao dia os meus suspiros vão ao teu encontro, procuram-te por toda a parte e, em troca de tanto desassossego, só me trazem sinais da minha má fortuna, que cruelmente não me consente qualquer engano [...]

Nem quero imaginar que me esqueceste. Não sou já bem desgraçada sem o tormento de falsas suspeitas? E porque hei-de eu procurar esquecer todo o desvelo com que me manifestavas o teu amor? Tão deslumbrada fiquei com os teus cuidados, que bem ingrata seria se não te quisesse com desvario igual ao que me levava a minha paixão, quando me davas provas da tua. Como é possível que a lembrança de momentos tão belos se tenha tornado tão cruel? E que, contra a sua natureza, sirva agora só para me torturar o coração?

Enfim, voltei, contra vontade, a ver a luz: agradava-me sentir que morria de amor, e, além do mais, era um alívio não voltar a ser posta em frente do meu coração despedaçado pela dor da tua ausência.

Não enchas as tuas cartas de coisas inúteis, nem me voltes a pedir que me lembre de ti. Eu não te posso esquecer, e não esqueço também a esperança que me deste de vires passar algum tempo comigo (aos meus 30 anos). Ai! Por que não queres passar a vida inteira ao pé de mim?

Não me encontro em estado de pensar em vingança, e acuso somente o rigor do meu destino. Ao separar-nos, julgo que nos fez o mais temível dos males, embora não possa afastar o meu coração do teu; o amor, bem mais forte, unidos para toda a vida."

* (aos meus 30 anos) = Modificado por Dayane Tavares.

domingo, 3 de abril de 2011

Almas gêmeas.

Antes de ti eu era só...

Vazia...perdida a procurar.

Hoje eu sinto que o amor me invade

É profundo... com raízes eternas.

Para além de tudo o que já vivi.

Sinto que transpassa todo o meu ser

Vai além do meu viver

Para além do meu corpo mortal

Transcendi o que é corpóreo

Nunca senti algo assim... Nunca...

É sobre natural e celestial.

Agora entendo quando se diz sobre o encontro de almas

És Minha alma gemea.

Mesmo distante... perdido por entre os devaneios

Sinto-te próximo e interligado ao meu ser.

Cada vez mais intimo estás.

Mesmo nos conhecendo pouco...

Mesmo sem entender tudo isso...

Sinto-te em meu seio

E a saudade de outrora é presença agora

Assim com se estivesse o acalentando em meu peito

Sinto o infinito... vejo o contínuo... e completo.
Esse sentimento permanente... eterno...

É inconcebível em nosso ser humano, pois é divino.

Não posso dizer que serás meu,

Pois não há posse mas encontro

Não é possível aprisionar o amor,

Pois ele é fluído... percorre o teu corpo e retorna ao meu

Como numa sinfonia, ritmado suave e volátil.

Não posso pedir nada em troca

Pois já sinto o retorno...
Como o pombo correio, que trás a mensagem,

O meu coração recebe o teu.

Não penses que serás refém,

Pois nada pode conter

No amor não há cativeiro...
E sim ninho que acolhe, aquece e alimenta.

Não penses que apenas te quero, pois te enganarás...

Não te quero apenas, pois já o tenho, e és presença constante.

Não posso tocar-te, e sei que corro o risco de não fazê-lo nunca mais

Mas não poderás tirar-te jamais de meu coração,

E de teu coração serei como fantasma errante
E procurar-te-ei por toda a eternidade.

Via http://letraseversos.blogspot.com

As vezes.

As vezes eu paro assim... para pensar...
Como posso viver assim para te amar.
As vezes eu volvo ao meu coração,
Pequeno órgão com tanta emoção.
As vezes observo meus pensamentos
Que condicionado revive nossos momentos.
As vezes no espelho me espreito,
Vejo uma silhueta nua e estreita.
As vezes tento calcular tuas mãos,
Quantos toques me abranges...qual a proporção?
As vezes quero te encher de beijos.
Deslizar minha boca quente em teu corpo inteiro.
As vezes quero te amar,
Possuir teu corpo... sem o encontrar.
As vezes te ouço a repetir o meu nome,
Num eco que silva e zune em minha mente.
As vezes, raras vezes, te encontro a vagar
Num êxtase acelera meu pulsar.
Assim adormeço... Entre as lágrimas desfaleço.
Sem o desfrute do amor eterno, pereço.

Na espera exaustiva permaneço.
Na esperança convalesço.

Via http://letraseversos.blogspot.com